Pedes-me um tempo
para balanço de vida
mas eu sou de letras
não me sei dividir...
(...)
E agarras a minha mão
com a tua mão
e prendes-me a dizer
que me estás a salvar...
de quê?
de viver o perigo?
de quê?
de rasgar o peito com o quê?
de morrer mas de que, paixão?
Mafalda Veiga - "Balançar"
E prefiro uma vez mais pensar que já passei por coisas piores. Que "Tudo o que não nos mata, torna-nos mais fortes!"
Que o chão nos vai derrapando debaixo dos pés, mas que a vida é sem dúvida o eterno "Mantém-te Firme", da qual sairemos ou não vencedores. Mortos, saímos sempre, de qualquer maneira.
E prefiro acreditar, que o respirar fundo me vai salvando... que os tes abraços me permitem chorar sem ninguém mais ver... que o rio ou o mar, as ondas e o vento me levam as lágrimas...
Balançamos ao tom de uma corrente ora ingrata, ora supersticiosa demais. Nunca temos certesa de nada. Pelo contrário... é quando damos algo por adquirido, que o vemos fugir-nos das mãos.
Eu sei o que já foi meu... sei o que é, ou que poderia ter sido. Umas coisas agarrei com toda a força do mundo! Outras, não agarrei porque simplesmente não quis. Prefire pensar que não foi, porque não pude.
Fechamos os olhos e esperamos que passe.
Limpamos as lágrimas, arregaçamos as mangas e caminhamos em frente com o intuito de voltar a tentar. A Luta também é isso. Que o cansaço não me vença, nem tão pouco a ingratidão. A única coisa que me pode vencer sou eu própria. (Será disso que tenho medo?)
Talvez um dia tudo não passe de um talvez...
Um dia será uma certeza!
A vida já foi brincando comigo dessa maneira.
Aos 8 anos disseram-me que era um devaneio de criança... que passava..
Aos 12, tive a certeza que queria mais...
Aos 14, vi a vida tirar-me o meu mundo das mãos e deixá-lo cair á minha frente transformando-se em cacos. Ouvi dizerem-me que era impossível fazer aquilo que amava por ter o que tinha: Um medo que eu nem percebia o que era. Uma doença que me afligia o sangue, me cortava a respiração e deixava com os sentidos revoltos. Tropecei, e tentei voltar a reconstruir as peças que não encontrava... que se tinham perdido. Sem temer nada, arregacei as mangas e fiz-lhe a vontade, fui tentando montar o puzzle dakilo que me tinham roubado.
Aos 15, percebi que havia peças que já não encaixavam porque pura e simplesmente já não tinham que encaixar. Então fiquei amarrada a mim própria. Revoltei-me, chorei, puxei os cabelos, gritei "porquê?", abracei-me a quem menos esperava, desejei que simplesmente não houvesse vida porque já não havia o "Meu" Mundo.
Aos 16, parei e fui tentando abrir as correntes que me prendiam. E ouvi novamente a palavra impossível, mas percebi que aquilo que via ao espelho, ía muito para além dos olhos de felina, ou da cara de menina... Havia muito mais que eu ainda não tinha descoberto. Era esse o "Impossível". Neguei tudo o que me deram... e comecei eu a desenhar as peças.
Aos 17, recaí e abri o jogo. Comecei a montar a speças com as mãos a tremer e voltei o jogo a meu favor com uma destreza inabalável. Se o "Impossível" existe, eu devo ser boa a fazê-lo.
E mostrei que eu não só tinha nascido para fazer aquilo que amava, como o queria e desejava fazer.
Aos 18, o tempo voa. E a certeza vai sendo cada vez maior. Bofetadas de Luva Branca? Já dei e recebi muitas. resta-me saber se estou preparada ou se vou conseguir virar o jogo novamente a meu favor. Se irei responder da mesma maneira. Não depende só de mim...
Dúvidas? Muitass..
Medos? Já foram mais... mas permanecem alguns...
Culpas? Ha' algum tempo que elas se foram...
Certezas? Neste momento...provavelmente nenhumas..
Sonhos? Imcomparáveis...
Objectivos? Defeinidos sim.. mas com uma grande e exequível bifurcação.
Dor? Todos os dias...
Sorrisos? Nem que seja para fazer face ás lágrimas...
Balançar? Sempre... ao sabor da corrente... ao sabor dos desejos. "Sou de letras, sou de palco, sou de papel... não sou de contas, não me sei dividir!"
O palco... os nervos... as lágrimas... o palco... o palco... o direito... a tentação... o medo... o direito... o palco!
Que seja...
Venha o que vier...
(...)
Pensa em mim
dentro das mãos fechadas
o que cabe é pouco
mas é tudo o que temos
esqueces que às vezes
quando falha o chão
o salto é sem rede e
tens de abrir as mãos
(...)
P.S: Eu sei, meu bem... que tu amas e odeias o que escrevo na mesma medida =P. Um dia destes, quando eu ganhar juízo... faço as nossas biografias, talvez contemos as nossas histórias... nem que seja de Improviso ;D
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