quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

● Talvez um dia ...


Pedes-me um tempo
para balanço de vida
mas eu sou de letras
não me sei dividir...
(...)
E agarras a minha mão
com a tua mão
e prendes-me a dizer
que me estás a salvar...
de quê?
de viver o perigo?
de quê?
de rasgar o peito com o quê?
de morrer mas de que, paixão?

Mafalda Veiga - "Balançar"

E prefiro uma vez mais pensar que já passei por coisas piores. Que "Tudo o que não nos mata, torna-nos mais fortes!"
Que o chão nos vai derrapando debaixo dos pés, mas que a vida é sem dúvida o eterno "Mantém-te Firme", da qual sairemos ou não vencedores. Mortos, saímos sempre, de qualquer maneira.
E prefiro acreditar, que o respirar fundo me vai salvando... que os tes abraços me permitem chorar sem ninguém mais ver... que o rio ou o mar, as ondas e o vento me levam as lágrimas...
Balançamos ao tom de uma corrente ora ingrata, ora supersticiosa demais. Nunca temos certesa de nada. Pelo contrário... é quando damos algo por adquirido, que o vemos fugir-nos das mãos.
Eu sei o que já foi meu... sei o que é, ou que poderia ter sido. Umas coisas agarrei com toda a força do mundo! Outras, não agarrei porque simplesmente não quis. Prefire pensar que não foi, porque não pude.
Fechamos os olhos e esperamos que passe.
Limpamos as lágrimas, arregaçamos as mangas e caminhamos em frente com o intuito de voltar a tentar. A Luta também é isso. Que o cansaço não me vença, nem tão pouco a ingratidão. A única coisa que me pode vencer sou eu própria. (Será disso que tenho medo?)
Talvez um dia tudo não passe de um talvez...
Um dia será uma certeza!



A vida já foi brincando comigo dessa maneira.
Aos 8 anos disseram-me que era um devaneio de criança... que passava..
Aos 12, tive a certeza que queria mais...
Aos 14, vi a vida tirar-me o meu mundo das mãos e deixá-lo cair á minha frente transformando-se em cacos. Ouvi dizerem-me que era impossível fazer aquilo que amava por ter o que tinha: Um medo que eu nem percebia o que era. Uma doença que me afligia o sangue, me cortava a respiração e deixava com os sentidos revoltos. Tropecei, e tentei voltar a reconstruir as peças que não encontrava... que se tinham perdido. Sem temer nada, arregacei as mangas e fiz-lhe a vontade, fui tentando montar o puzzle dakilo que me tinham roubado.
Aos 15, percebi que havia peças que já não encaixavam porque pura e simplesmente já não tinham que encaixar. Então fiquei amarrada a mim própria. Revoltei-me, chorei, puxei os cabelos, gritei "porquê?", abracei-me a quem menos esperava, desejei que simplesmente não houvesse vida porque já não havia o "Meu" Mundo.
Aos 16, parei e fui tentando abrir as correntes que me prendiam. E ouvi novamente a palavra impossível, mas percebi que aquilo que via ao espelho, ía muito para além dos olhos de felina, ou da cara de menina... Havia muito mais que eu ainda não tinha descoberto. Era esse o "Impossível". Neguei tudo o que me deram... e comecei eu a desenhar as peças.
Aos 17, recaí e abri o jogo. Comecei a montar a speças com as mãos a tremer e voltei o jogo a meu favor com uma destreza inabalável. Se o "Impossível" existe, eu devo ser boa a fazê-lo.
E mostrei que eu não só tinha nascido para fazer aquilo que amava, como o queria e desejava fazer.
Aos 18, o tempo voa. E a certeza vai sendo cada vez maior. Bofetadas de Luva Branca? Já dei e recebi muitas. resta-me saber se estou preparada ou se vou conseguir virar o jogo novamente a meu favor. Se irei responder da mesma maneira. Não depende só de mim...
Dúvidas? Muitass..
Medos? Já foram mais... mas permanecem alguns...
Culpas? Ha' algum tempo que elas se foram...
Certezas? Neste momento...provavelmente nenhumas..
Sonhos? Imcomparáveis...
Objectivos? Defeinidos sim.. mas com uma grande e exequível bifurcação.
Dor? Todos os dias...
Sorrisos? Nem que seja para fazer face ás lágrimas...
Balançar? Sempre... ao sabor da corrente... ao sabor dos desejos. "Sou de letras, sou de palco, sou de papel... não sou de contas, não me sei dividir!"
O palco... os nervos... as lágrimas... o palco... o palco... o direito... a tentação... o medo... o direito... o palco!
Que seja...
Venha o que vier...


(...)
Pensa em mim
dentro das mãos fechadas
o que cabe é pouco
mas é tudo o que temos
esqueces que às vezes
quando falha o chão
o salto é sem rede e
tens de abrir as mãos
(...)


P.S: Eu sei, meu bem... que tu amas e odeias o que escrevo na mesma medida =P. Um dia destes, quando eu ganhar juízo... faço as nossas biografias, talvez contemos as nossas histórias... nem que seja de Improviso ;D

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

● Quem és tu? ...

-Quem és tu, afinal?
-Sou parte daquela força
que eternamente quer o mal
e eternamente quer o bem.

GOETHE, Fausto




Prende-me. Prende.me a ti com todas as forças como se já não houvesse amanhã! Como se já não houvesse o memento a seguir, como se já não houvessem os próximos segundos.
Dá-me o teu corpo, a chave da tua alma, os teus beijos, as tuas carícias, os teus segredos...
O que de mais profundo há em ti...
Dá-me...
Deixa-me abrir essas alavancas todas, essas correntes que tu maliciosamente trancaste para que eu me perdesse no teu labirinto de devaneios.
Dá-me apenas parte do teu mundo, porque a outra parte, eu construo-a através de mim.
Prende-me com as tuas mãos e persegue-me mesmo que eu não me queira deixar apanhar.
Tu consegues sempre chegar até mim. Salvas-me como o meu porto de abrigo e de repente, partes... Destrancas a corrente e nem me dás tempo para ver onde guardas a chave.
Quem és tu afinal, com esse poder todo, de me trancar e destrancar? Com esse poder de arrancares em mim o que eu não quero dar, de arrancares dos meus lábios os beijos que eu escondo, das minhas mãos, as carícias que guardo, da minha pele, a suavidade que se cria...
Quem és tu afinal? Viajante...
Vais e vens.. e eu... não quero estar mais aqui.
Mas não te consigo dizer que é por não ficares que eu também não consigo estar mais aqui.
Arrancas-me os "ais", as angústias, os sorrisos, os desabafos ou simplesmente o silêncio que é tão dificíl reinar em mim.
E eu sei lá se o que me dás em troca não passam de mentiras ou jogos da tua mente, do teu corpo.
Tenho medo. Tenho frio. Quero ir.
Não vou esperar mais por ti. Eu quero uma só eternidade, tu fabricas duas - a do bem e a do mal. Em qual delas pensas quando me prendes a ti e me beijas?
Eu vou...
Dás-me agora o que és realmente ou deixas-me partir para sempre?

P.S: "O amor é uma doença, quando nele julgamos ver... a nossa cura" - Ornatos Violeta in «Ouvi Dizer»



Bruna Santos

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

● Sentimento ...

Sigo pela estrada ainda com aquele suave perfume no casaco. O cheiro do pó anestesiante do velho chão de madeira... o odor das velhas cortinas do palco, o sentir das teclas do piano.
Fecho os olhos... imagino a próxima cena...
Mas ha' tanta coisa que se pode imaginar, que é imporssível! E depois... de nada vale... sai-nos por impulso!
Transformam-mos aquele momento num misto de imaginação, criatividade, dramatismo e impulso... e somos TUDO, num só momento. O tempo pára, e nós sentimo-lo. Não há mais nada. Apenas nós e esta paixão irremediável. Podemos chorar ou rir... somos nós numa confusão mental de um outro ser que criamos e nós, que o fazemos saltar para fora de nós e deixa-mo-lo utilizar o nosso corpo. O resto é intuição e impulso. Intuição como aqueles que seguem o que o destino lhes nega... impulso como o acorde que salta dos dedos para a viola nas mãos de um músico.
É rápido, forte, grotesco, incessante! Não há absolutamente mais nada... apenas nós, o chão de madeira, as luzes ténues... um público quase invisível, porque o que interessa é o nosso mundo. Aquele que criamos e desfazemos em segundos, mas que permanece em nós.
Quem nunca sentiu isto... deveras não ter sonhado!
Queremos respirar mais fundo, só para sentir ainda mais o odor da paixão! Queremos ser rápidos para fazer vibrar quem nos sente e ao mesmo tempo... lentos para que o tempo nunca páre...
O antes é de nervos e ansiedade... o durante é único... e o depois... sabe a pouco. Dá vontade de saltar lá para cima outra vez... e outra.. e outra.. e fazer aquilo de todas as formas diferentes... deixar-nos levar pela intensidade das pancadas de Moliére.
Soam nos meus ouvidos. E o sorriso é inevitável.
Vamos voltar?
Vamos sentir aquilo tudo outra vez.. vamos criá-lo com paixão?
Vamos ser aquilo que mais amamos fazer e pronto?
Só por uns momentos...
Let me do the thing I most Love in the World - calls Stage!

P.S: "Ambiciono o amor, não ambiciono a fama.. e acredito só somos alguém qd alguém nos ama..."


Bruna Santos

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

● Deixa-te Ficar...



Deixa-te ficar. Ás vezes vale mais ficar, sabes. Nem sempre reagir aos intintos é o melhor. Eu percebo. Sentir custa mais do que pensar. O pensamento não nos garante a realidade. O sentir... sim. Por alguma razão o sentes. Acreditas no destino? Já não sei se hei-de acreditar. Contínuo a preferir os factos... apesar de ser que é o que doi mais. E apesar de saber que é o que doi mais.
O destino faz-se de factos, não é? Só tens que esperar por eles. Mas antes... há que aprender a esperá-los! Esperar é uma virtuda e há que saber utilizar tal deixa. Um plano sem estratégia, uma atitude sem objectivo. Como se fosse maléfico. Mas não o é... nunca foi. Foi apenas uma maneira de realizar a felicidade. Ou pelo menos... parte dela.
Não foi perder. Não foi um fracasso. Foi uma pedra no caminho a qual procurei guardar (ou não, procurei chutar...). Para quê? Construir um castelo, se a maior fortaleza está em mim?
Mas aprendi a não a chutar. Fiz dela um degrau. E agora vou subir... e er uma nova maneira de apreciar o mundo. De encarar a vida. Mas... nova maneira? Não... a constituição de uma mais subtil e verdadeira, sim. Mais forte... mais intensa...
Mas, por agora... é para deixar-me ficar. Não é estar com uma dor. É preparar-me para o que o destino me reserva, para o que teno que enfrentar!
Deixa-te Ficar. Suporta o vento na face. Faz dele o teu aliado mais forte. Faz do tempo o combustível do teu sorriso. Agarra no mar... e sente as ondas frias a baterem-te nas pernas. Ele está aos teus pés!
Cria o teu Mundo! E ama-o! Ama-o com paixão... Deixa o amor sair por todos os poros e que os outros vejam, apreciem e perecebam! E... deixa-te ficar.
Deixa-te ficar... porque a noite ainda reina lá fora... e tens que a sentir, calma e serena. Conhecer-lhe cada ponto... porque ela é mais misteriosa que o dia, enquanto que o dia... esse... é mais perigoso que a noite!
Sente-a! Tens que te... deixar... ficar...
Percebe o que se passou, orienta o coração!
Tu és capaz. Prepara a fortaleza, prepara as armas... Prepara-te a TI!
E deixa-te ficar...
☆Bruna Santos

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

● Toca-me ...

Vem... Procura-me com os teus lábios... toca-me. Preciso do teu toque. Segue cada traço do meu corpo, cada brilho do meu olhar...
Procura-me com a suavidade das tuas mãos, que desliza na face quente da minha pele... Percorre cada centímetro dessa textura...
Sem medo... Vem... Descobre cada ponto do meu rosto, cada sentir mais puro dos meus lábios... e beija-me. Fecha os olhos e desliza sobre mim...
Percorre-me com esse brilho que só tu possuis... que só tu sabes usar...
Deixa-me cair perante ti... Cai comigo e depois levanta-te unido a mim.
Olhar que me mata... respiração sufocante! Perdem-se os sentidos... penetram-me... pertencem-me, como eu me pertenço a ti...
Coração que dói, boca que ri, transpiração que escorre á flor da pele. Sabor salgado, que se mistura com o sangue da alma. Destrois-me e fazes-me renascer, em segundos!
Transformo-me em mais pura divindade no mais escaldante Inferno! E tu és esse fogo que me queima...
Faz-me arder em ti... e depois...
Deixa-me adormecer no teu peito... Deixa-me sonhar junto a ti... eternamente!


Bruna Santos